BREVES
REFLEXÕES A UM DITO PROTESTO
Nunca fui e nem sou do PT. Votei duas
vezes em Lula e, da mesma forma, em alguns outros candidatos deste partido, a
exemplo da primeira eleição de Jacques Wagner para o governo da Bahia e para
mandatos em pleitos legislativos, como os votos que sufraguei, com consciência,
para Zilton Rocha, Guilherme Menezes e Waldir Pires.
Entretanto, devo, sem paixões ou
radicalismos doentios, “tirar um sarro”, hoje, dos ditos oposicionistas baianos
de plantão, muitos dos quais, não há dúvida, ainda inconformados com a perda
eleitoral de seu candidato bufão à cadeira presidencial. Estes políticos –
necessário relembrar, alguns portadores de currículos um tanto tenebrosos! –
têm ecoado as vozes chorosas e quase frenéticas dos seus correligionários do
ainda equivocadamente pensado sul-sudeste maravilha, aonde, por mais incrível
que possa parecer, alimentam preconceitos contra todos nós, resistentes
nordestinos, sobretudo porque garantimos a referida derrota do mineiro
enganador.
Diante do que ontem se deu - em
especial nas capitais nordestinas -, era preferível não ter sido convocado o
tal dia de protesto como se pretendeu, o qual, mesmo que contemplado por
vultosas “ajudas” materiais (camisetas, faixas, bonecos, batucadas, buzus e
demais arranjos) para um ansiado sucesso nas ruas – e, diga-se de passagem, com
a cobertura de uma mídia comprometida, serviçal – resultou, como testemunharam
os olhares mais atentos e críticos, num melancólico fiasco, para não dizer num
ridículo espetáculo, relembrando os programas de auditório de quinta categoria,
com os seus scripts e quadros antecipadamente “combinados”, coisa do tipo “hora
das palmas”, “hora dos sorrisos”, “hora dos dramalhões”, “hora das apelações”!
Os “protestantes”, muitos, inclusive,
travestidos em camisas verdes e amarelas em que se destacavam os escudos da CBF
(então um organismo maculado por delitos e corrupções iguais às que seus
portadores tanto reclamavam nas ruas; que contradição hein!), que se fizeram
presentes nas maiores cidades do nosso estado (vi as imagens de Feira de
Santana, Vitória da Conquista, Itabuna, Ilhéus, Juazeiro: ah! quanto trabalho a
citada mídia teve para agrupá-los em ângulos favoráveis!), vergonhosamente não
davam para encher três ônibus! No sertão, creio, bastaram dois “paus-de-arara”
e o furdunço se deu tristemente letárgico, como afinal rolou em pouquíssimas
municipalidades. E na antiga e tão negra/mestiça “Cidade da Bahia”, a Salvador
de Todos os Santos, viu-se uma reles manifestação sem brilho, perceptivelmente
estranha à cor predominante e mais autêntica de sua gente laboriosa e festiva!
A orla mais parecia um desfile de Paquitos e Paquitas que então saudavam a reestreia de sua Rainha “Recau-XuXa-tada”.
Fez-me lembrar daquela frase tantas vezes pronunciada nos bailes dos
clubes elitistas, quando dos carnavais dos anos oitenta e que os cantores do
axé-music adoram vociferar em seus ruidosos microfones: “aê gente bonita! Sai
do chão! Sai do chão!”. Que gente bonita suas caras pálidas? E isso é
verdadeiramente sintomático! O povo não se fez mesmo presente ao propalado cartão
postal predileto da Salvador midiática, pretensamente branca e turística! Será
que tomou Doriu?
Portanto, mais pertinente será para a
oposição nervosa, chorona, incompetente e, sobretudo, maculada por erros e
delitos cometidos por muitos dos seus hoje mascarados paladinos da moralidade –
e, como de resto, a sociedade organizada brasileira – valorizar e defender os
meios legais e mais adequados de combate aos desvios, contribuir para a correção
dos erros praticados (o que vem sendo executado pelos poderes constituídos!),
ficar atenta e cobrar, quando assim for justo, a devida punição dos que
efetivamente tiverem suas culpas comprovadas e, sem arroubos, sensacionalismos,
casuísmos ou até “golpes brancos”, exercitar dignamente o seu papel e produzir
inteligentes reflexões. O país, no mínimo, carece caminhar!
Saudações,
Roberto
Dantas.