segunda-feira, 17 de agosto de 2015

BREVES REFLEXÕES A UM DITO PROTESTO

BREVES REFLEXÕES A UM DITO PROTESTO

Nunca fui e nem sou do PT. Votei duas vezes em Lula e, da mesma forma, em alguns outros candidatos deste partido, a exemplo da primeira eleição de Jacques Wagner para o governo da Bahia e para mandatos em pleitos legislativos, como os votos que sufraguei, com consciência, para Zilton Rocha, Guilherme Menezes e Waldir Pires.

Entretanto, devo, sem paixões ou radicalismos doentios, “tirar um sarro”, hoje, dos ditos oposicionistas baianos de plantão, muitos dos quais, não há dúvida, ainda inconformados com a perda eleitoral de seu candidato bufão à cadeira presidencial. Estes políticos – necessário relembrar, alguns portadores de currículos um tanto tenebrosos! – têm ecoado as vozes chorosas e quase frenéticas dos seus correligionários do ainda equivocadamente pensado sul-sudeste maravilha, aonde, por mais incrível que possa parecer, alimentam preconceitos contra todos nós, resistentes nordestinos, sobretudo porque garantimos a referida derrota do mineiro enganador.

Diante do que ontem se deu - em especial nas capitais nordestinas -, era preferível não ter sido convocado o tal dia de protesto como se pretendeu, o qual, mesmo que contemplado por vultosas “ajudas” materiais (camisetas, faixas, bonecos, batucadas, buzus e demais arranjos) para um ansiado sucesso nas ruas – e, diga-se de passagem, com a cobertura de uma mídia comprometida, serviçal – resultou, como testemunharam os olhares mais atentos e críticos, num melancólico fiasco, para não dizer num ridículo espetáculo, relembrando os programas de auditório de quinta categoria, com os seus scripts e quadros antecipadamente “combinados”, coisa do tipo “hora das palmas”, “hora dos sorrisos”, “hora dos dramalhões”, “hora das apelações”!

Os “protestantes”, muitos, inclusive, travestidos em camisas verdes e amarelas em que se destacavam os escudos da CBF (então um organismo maculado por delitos e corrupções iguais às que seus portadores tanto reclamavam nas ruas; que contradição hein!), que se fizeram presentes nas maiores cidades do nosso estado (vi as imagens de Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna, Ilhéus, Juazeiro: ah! quanto trabalho a citada mídia teve para agrupá-los em ângulos favoráveis!), vergonhosamente não davam para encher três ônibus! No sertão, creio, bastaram dois “paus-de-arara” e o furdunço se deu tristemente letárgico, como afinal rolou em pouquíssimas municipalidades. E na antiga e tão negra/mestiça “Cidade da Bahia”, a Salvador de Todos os Santos, viu-se uma reles manifestação sem brilho, perceptivelmente estranha à cor predominante e mais autêntica de sua gente laboriosa e festiva! A orla mais parecia um desfile de Paquitos e Paquitas que então saudavam a reestreia de sua Rainha “Recau-XuXa-tada”.  Fez-me lembrar daquela frase tantas vezes pronunciada nos bailes dos clubes elitistas, quando dos carnavais dos anos oitenta e que os cantores do axé-music adoram vociferar em seus ruidosos microfones: “aê gente bonita! Sai do chão! Sai do chão!”. Que gente bonita suas caras pálidas? E isso é verdadeiramente sintomático! O povo não se fez mesmo presente ao propalado cartão postal predileto da Salvador midiática, pretensamente branca e turística! Será que tomou Doriu?

Portanto, mais pertinente será para a oposição nervosa, chorona, incompetente e, sobretudo, maculada por erros e delitos cometidos por muitos dos seus hoje mascarados paladinos da moralidade – e, como de resto, a sociedade organizada brasileira – valorizar e defender os meios legais e mais adequados de combate aos desvios, contribuir para a correção dos erros praticados (o que vem sendo executado pelos poderes constituídos!), ficar atenta e cobrar, quando assim for justo, a devida punição dos que efetivamente tiverem suas culpas comprovadas e, sem arroubos, sensacionalismos, casuísmos ou até “golpes brancos”, exercitar dignamente o seu papel e produzir inteligentes reflexões. O país, no mínimo, carece caminhar!

Saudações,

Roberto Dantas.

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